Mais Nítido
Uma plataforma de mentoria que conecta pessoas por compatibilidade.

O desafio
As soluções de educação e treinamento disponíveis no mercado entregam conteúdo padronizado e pouco aderente à realidade de cada profissional. A pergunta que orientou o projeto foi como promover a troca de conhecimento entre profissionais de forma leve e personalizada, com bom custo benefício em tempo e aplicabilidade.
O escopo era desenvolver um MVP de uma ferramenta que viabilizasse mentorias dentro das empresas, com mentores internos e externos. Diferente de um projeto que termina na recomendação, este precisava rodar em ambiente real.
Processo
O produto precisava atender dois públicos com interesses distintos. De um lado o RH, que contrata e precisa justificar o investimento. Do outro o profissional, que participa da mentoria e busca algo aplicável à própria carreira.
Conduzi entrevistas em profundidade com cerca de quinze pessoas, entre profissionais de RH, de tecnologia e pessoas que já faziam mentoria por meios informais, complementadas por um formulário online para ampliar o alcance da amostra. A partir dos achados desenhei os fluxos, as telas e o Style Guide do produto.
Na validação usei dois formatos com propósitos diferentes. Os testes moderados via Google Meet mostravam o que as pessoas pensavam enquanto usavam. O Microsoft Clarity mostrava o que elas faziam sem saber que estavam sendo observadas, o que ajudou a confirmar se os fluxos se sustentavam no uso real.
Insights das pesquisas
- Quando uma empresa contrata mentoria, o gestor costuma chegar com o resultado já definido, como desempenho comercial ou engajamento. A mentoria é então formatada a partir dessa expectativa, e a necessidade do mentorado entra em segundo plano.
- Tanto o RH quanto o mentorado precisam enxergar a evolução do aprendizado ao longo do processo, cada um por motivos diferentes.
- A conexão entre o desafio do mentorado e a estratégia da empresa precisa existir, mas de forma aplicável no dia a dia.
Objetivos
Conectar as pessoas certas
Mapear estilo, desejos e necessidades por meio de perguntas chave, para que a formação das duplas partisse de compatibilidade real e não de alocação administrativa.
Tornar a mentoria parte da valorização de carreira
Posicionar o aprendizado como benefício percebido pelo profissional, e não como treinamento imposto pela empresa.
Incentivar a dupla função
Permitir que o mesmo colaborador atuasse como mentor e como mentorado, aproveitando as expertises que já existiam dentro da empresa.
Escolhas do projeto
O primeiro achado da pesquisa expôs uma tensão que definiu o produto. Quem paga pela mentoria e quem participa dela querem coisas diferentes, e as soluções existentes atendiam apenas o lado de quem paga. A resposta foi a ciência do match, um algoritmo desenvolvido pela Clara Celina que forma as duplas a partir de perguntas respondidas pelo próprio profissional. O mentor deixa de ser uma alocação administrativa e passa a ser resultado do que o mentorado busca, sem que a empresa perca a visibilidade sobre o processo.
Essa visibilidade tomou forma em um painel de acompanhamento para o RH, com os dados das mentorias em andamento, quem está participando e quais mentores concentram mais procura. O painel virou o argumento de valor para quem contrata, porque sustenta a mentoria como investimento acompanhável em vez de despesa recorrente.
A plataforma foi construída em no code, em parceria com a Vistapub. A decisão permitiu que um time pequeno e sem estrutura própria de engenharia chegasse ao mercado com um produto funcional em vez de um protótipo. Ela também impôs limites de interface, e o Style Guide que criei foi adaptado pela Vistapub para caber nas possibilidades da ferramenta escolhida.
A mudança mais desafiadora veio no meio do caminho. O modelo de negócio exigia um mecanismo financeiro que não estava previsto no escopo inicial, e um sistema de créditos entrou no roadmap de forma repentina. A empresa adquire créditos por plano e distribui uma cota para cada colaborador, e cada mentor tem um custo em créditos conforme seu perfil. Isso obrigou a reorganizar fluxos já desenhados. O saldo passou a influenciar a escolha do mentor, e o colaborador precisava entender quanto tinha disponível e o que conseguia com aquilo, sem que a plataforma virasse uma vitrine de preços. Foi a decisão que mais mexeu no produto, porque trouxe o modelo de negócio para dentro da experiência.










Resultados
O Mais Nítido foi lançado e está em uso em contextos públicos, privados e do terceiro setor.
Colocar o produto em operação trouxe um desafio que a fase de desenho não antecipava. Depois do lançamento, a dificuldade deixou de ser a usabilidade e passou a ser manter a comunicação e o engajamento das pessoas ao longo do uso, algo que uma interface bem resolvida sozinha não garante.
Hoje o caso mais visível é o LabCultura.RS, programa da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul em parceria com a Universidade Feevale, voltado a projetos da Lei Paulo Gustavo. Desde agosto de 2025, a plataforma conecta produtores culturais a cerca de sessenta mentores de diferentes regiões do Brasil, com quinhentas horas de orientação gratuita, e é o algoritmo de compatibilidade que forma as duplas.
Ferramentas
- Google Forms
- Figma
- Miro
A Equipe
- Aron Krause Litvin (Inovação e Design Estratégico)
- Clara Celina (Research)
- Daniel Caminha (Founder e Psicólogo)
- Gabriela Dall’Agnol (Coordenação e Product Design)
- Lucas Weinmann (Vistapub. - No Code Developer & Designer)